A ILHA, LOCALIZAÇÃO E INTEGRAÇÃO COM O LAGAMAR
A Ilha do Cardoso situa-se no município de Cananéia, extremo sul do Estado de São Paulo, limitando-se ao norte com a Baia de Trapandé, a leste com o Oceano Atlântico, ao sul com o Oceano Atlântico, Barra e Mar do Ararapira e a oeste com o Canal do Ararapira. Possui 11.500 hectares e todo seu lado oeste integra-se ao Lagamar de Cananéia.
O Lagamar é um sistema formado pelos estuários de inúmeros rios, riachos e córregos, fluindo das serras em volta (cobertas de matas preservadas) para o mar, criando um imenso emaranhado de canais e lagoas de água salobra. A água salgada do mar penetra ciclicamente no continente, com as marés, até uma distância de 30 km do mar, e mistura-se com a água doce dos cursos d’água já referidos. Essa mistura gera o ambiente ideal para a procriação de muitas espécies marinhas, pois, além de conter os nutrientes de que necessitam, é protegido da agitação do mar aberto. As raízes intrincadas do mangue, que cobre boa parte do Lagamar, são um verdadeiro berçário para os filhotes de inúmeros tipos de animais aquáticos. Não é por menos que esse complexo é considerado um dos maiores criadouros de espécies marinhas do Atlântico Sul.
Segundo o Instituto de Pesquisas de Cananéia, “o Lagamar faz parte da Bacia Hidrográfica do Rio Ribeira de Iguape, tendo como componentes os Complexos Estuarinos de Iguape e Cananéia (SP) e o Complexo Estuarino de Paranaguá (PR). A região se destaca pelas belas paisagens naturais terrestres e marinho-costeiras, incluindo montanhas, estuários, ilhas e praias com florestas de planície e encosta, restingas, dunas e manguezais, abrigando assim, muitas espécies da fauna e flora. Não só de riquezas naturais é composto o Lagamar, nesta região ainda vivem populações caiçaras que mantém viva sua cultura local e conhecimentos tradicionais secular como o fandango e a pesca artesanal com cerco-fixo. Considerada como de prioridade “extremamente alta” para medidas de conservação a região do Lagamar inclui um dos cinco estuários menos degradados e mais produtivos do mundo, além de fazer parte da “Reserva da Biosfera da Floresta Atlântica” decretada pela UNESCO. A região compreende várias unidades de conservação nacionais e estaduais como o Parque Nacional do Superagui, Parque Estadual Ilha do Cardoso, Parque Estadual do Lagamar, Estação Ecológica dos Tupiniquins, Área de Proteção Ambiental Cananéia-Iguape-Peruíbe, Área de Proteção Ambiental Guaraqueçaba, entre outras.” Aos interessados em saber mais sobre os aspectos geológicos, geomorfológicos, climáticos e hidrológicos da Ilha do Cardoso recomenda-se a leitura do texto “ANÁLISE PRELIMINAR DO POTENCIAL HÍDRICO DO PARQUE ESTADUAL DA ILHA DO CARDOSO-CANANÉIA (SP)” clicando no link respectivo do campo “Referências”.
O PARQUE
Trata-se de unidade de conservação cujo objetivo é a proteção e preservação de ecossistemas naturais de grande relevância ecológica e beleza cênica, bem como do rico patrimônio arqueológico ali existente, possibilitando a realização de pesquisas científicas e o desenvolvimento de atividades de educação, recreação e ecoturismo.
Segundo a Fundação Florestal “O Parque Estadual da Ilha do Cardoso (PEIC) abrange um dos mais significativos e complexos remanescentes de ecossistemas de Floresta Atlântica do Brasil. Foi considerado pela Rede Hemisférica de Aves Playeras (RHAP – USA) uma das três regiões na América do Sul que apresenta a maior diversidade de aves limícolas (Blanco & Canevari 1992). Também é considerada uma das duas áreas que apresenta a maior concentração de espécies de aves ameaçadas da região neotropical (Wege and Long 1995), por concentrar em seus domínios uma alta diversidade de espécies de aves ameaçadas de extinção e ou raras (Collar et al.), portanto o PEIC deve ser tratado como região prioritária para o estabelecimento de estratégias de conservação.
O Parque possui grande diversidade florestal de mata atlântica costeira como restinga, florestas costeiras e manguezais. É um importante centro de pesquisas científicas, onde a estrutura do Núcleo Perequê foi implantada para subsidiar estes estudos com o nome inicial de CEPARNIC – Centro de Pesquisas Aplicadas em Recursos Naturais da Ilha do Cardoso, controlado inicialmente pela SAA – Secretaria de Estado de Agricultura e Abastecimento, posteriormente transferido a administração para a SMA – Secretaria de Estado de Meio Ambiente, na década de 90.
As praias, os costões rochosos e as dunas podem ser vistos na face da ilha que recebe as águas do oceano, onde se encontram as praias do Itacuruçá, Ipanema, Cambriú, Fole Pequeno, Foles, Lages e Marujá. Os manguezais se formam no Canal do Ararapira e na Baía de Trapandé, na face ocidental da ilha. Além disso, uma extensa restinga cobre a maior parte da planície litorânea da Ilha.
Existem seis comunidades caiçaras no Parque, totalizando 465 moradores. Com forte influência cultural indígena, desenvolveram um apurado conhecimento da natureza. São formadas em sua maioria por pescadores que, atualmente, têm o turismo como fonte substancial de renda.
São encontrados numerosos sambaquis (sítios arqueológicos), ruínas da ocupação humana a partir do período colonial e um marco do tratado de Tordesilhas, que também garantem grande importância histórica ao Parque.
A cultura caiçara e a história do PEIC não são menos importantes. Inúmeros sítios arqueológicos denominados sambaquis provam a passagem humana pela Ilha há cerca de 6000 anos. Além destes, há ruínas que testemunham sua ocupação desde o período colonial, época em que a Ilha abrigava mais moradores do que a própria sede do município de Cananéia.
Até a década de 1960 esses moradores praticavam a roça de subsistência, sob influência indígena, utilizando o método de corte-queima-pousio para o plantio de mandioca (com a qual fazia-se farinha destinada à comercialização) e outros produtos voltados ao consumo familiar.
Atualmente são poucas as famílias que praticam a agricultura, mas as festas que acompanhavam o processo de plantio naquela época, chamadas pelos caiçaras de “mutirões”, continuam acontecendo, recheadas de muita música e dança regional: o fandango. A administração do Parque incentiva esse tipo de evento, uma vez que, além de auxiliar no resgate cultural dessas comunidades, atrai diversos turistas que vêem ao Parque em busca, não apenas das belezas naturais, mas também desses eventos regionais. É com base na legislação vigente que no PEIC, os moradores auxiliam a direção do Parque no estabelecimento das normas que regem o uso público nessa Unidade de Conservação. Além disso, o Plano de Manejo do PEIC prevê também a execução de projetos que visem a melhoria das condições de vida para essas pessoas”.
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